Comédias de Sempre

Textos novos toda segunda e sexta as 18:30h!

11 de nov. de 2019

Um tio perdido na Creche #05: A Camiseta


   A coisa começou nesse dia quando fui na frente da creche receber as crianças da tarde. Eu não gosto de dizer que tenho favoritos ou faço diferença entre as crianças, mas entre esses que só vinham a tarde, Robson, cinco anos, era um das crianças que eu mais gostava. Ele me adorava também e sempre que podia, queria estar do meu lado. Mas naquele dia, aconteceu algo no mínimo cômico. Ele veio com uma camiseta que aparentemente era do Batman. Uma cor fosca com o logotipo do morcego na frente, super minimalista.
   -Olha tio, é o Batman!
   Só que... Não. A camiseta era da cor roxa e o logotipo do Batman era amarelo, e se eu conhecia alguma coisa dos quadrinhos, essas cores não eram do Batman, e sim, da Batgirl, a filha do comissário Gordon que fazia parte da batfamília. É claro que não tinha o menor problema para mim ele estar usando a camiseta da Batgirl, desde que ele pelo menos estivesse perfeitamente ciente de que era a camiseta de uma heroína, uma garota, o que claramente não era o caso.
   -Então, legal sua camiseta! É o Batman, né?
   -É! É muito legal!
   Sério, eu estava me mordendo de vontade de contar a ele, mas não tinha coragem. Ele estava todo feliz com a camiseta. Tão novinho e já iludido com a vida, o que dizer, não é?
   A tarde foi passando. Fui vê-lo mais tarde. A turma dele ficava comigo no final da tarde enquanto a professora tinha seu intervalo para descansar ou preparar matéria. E aí, mais trinta minutos longos e demorados olhando para ele na areia brincando e novamente me mordendo de ansiedade por causa da camiseta dele. a ilusão era doce, mas a verdade seria chocante, e se eu não contasse a ele, alguém em algum momento ia contar. É tipo o trabalho sujo, mas que alguém tem que fazer!
   -Robinho!
   -Oi, tio! - Veio correndo até mim.
   -Essa sua camiseta, sabe? - Respirei fundo, tomei coragem. - Ela... - Vamos lá, você consegue, é para o bem dele! - Ela... É muito legal!
   Na trave!
   E acabou ficando por isso mesmo pelo resto do dia. Cada vez que ele vinha sorrindo para mim eu perdia completamente a coragem de contar. Eu não tinha coragem de tirar aquele sorriso do rosto dele. Se bem que é capaz de ele não dar a mínima e eu estar ansioso com isso por nada. Mas, eu já tinha alguma coragem de pagar para ver?
   Por fim, Robinho, se você estiver lendo isso no futuro e tiver dado aquela sua camiseta para algum parente mais novo, avise ele! Ou não, é por sua conta!

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4 de nov. de 2019

Chamou minha atenção á força do ódio!


   Eu achei que deveria realmente contar essa história aqui porque uma conhecida que estava lá naquele dia contou para a minha mãe, e aí eu imagino que, já que a maior parte da cidade vai saber o que aconteceu, por mais que o evento seja uma grande b#sta lastimável para mim, então é melhor que ele pelo menos renda umas views aqui no blog.
   Já faz alguns meses. Saí de casa bem cedo pela manhã para ir no médico, e só por acordar cedo eu já estava estressado. Eu tinha que sair de lá pelo menos dez horas da manhã para poder chegar a tempo no serviço, o que no fundo eu sabia que não ia acontecer, mesmo sendo seis horas da manhã, porque era a c#ralha de um posto de saúde público, e em um posto de saúde público não importa a hora que você chegue, você pode acampar durante vinte dias na porta do posto para garantir um lugar na fila como se você fosse uma adolescente retardada cheia de hormônios querendo ver macho cantando no meio de uma multidão suada e barulhenta e provavelmente se expor a batedores de carteira (e por "carteira" eu quero dizer b##eta mesmo), ter que pagar por isso, e ainda assim não vai sair de lá cedo! (Acho que já deu para sentir como lembrar do episódio me deixa p#to, né?).
    Como eu tinha chegado antes de o posto abrir, o que ia acontecer uma hora depois, eu tinha que encarar uma fila de umas vinte pessoas. Isso porque eu cheguei as seis horas. E aí eu pergunto: Que horas o maldito que estava no primeiro lugar na fila acordou para conseguir esse feito, que eu tento isso a vida inteira e não consigo? Mas enfim, esperamos, e esperamos. Até que começou a chover. E para a gente não ficar debaixo de chuva (porque também tinha umas duas idosas lá) uma mulher saiu de dentro do posto e abriu a porta, mas a condição era que a gente só seria atendido no horário de sempre de funcionamento do posto. Só que, quando a chuva começou, metade da fila sumiu e não percebeu que alguém abriu o posto. Mas o pior foi que a moça do posto não se deu ao trabalho de anotar qual era a ordem da fila antes da chuva, e mesmo assim, quando deu o horário que o posto ia começar a atender, com uma tremenda cara de pau, se aproximou com cara de paisagem e disse:
   -Por favor, fila aqui no balcão agora na ordem em que vocês chegaram!
   Vou repetir:
   -Por favor, fila aqui no balcão agora na ordem em que vocês chegaram!
   VOCÊ ACHA QUE O POVO LEMBRA, DESGRAMA? Fazia meia hora que a chuva tinha começado e a gente tinha entrado no posto de saúde! Evidente que ia dar briga! E pior que nem eu lembrava da ordem que eu estava na fila. Só fui atrás da senhora que estava na minha frente antes. E nisso entra uma outra senhora, e se coloca na minha frente.
   Gente, Deus sabe que ninguém nesse mundo, ninguém respeita os mais velhos mais do que eu, tanto que todos os meus professores da faculdade estão vivos! (Tá bom, eu forcei a barra agora, mas vocês entenderam!). Mas naquela hora não deu. Não deu mesmo.
   -Senhora, eu não vou falar muito alto para os outros não ouvirem, mas eu teria todo o direito de pedir para a senhora ir para o final da fila!
   -Não, eu estava na sua frente! - Começou a falar alto, e a partir daí a conversa foi toda em alto e bom som.
   -Mas quando a chuva começou a senhora foi embora!
   -Eu fui me abrigar no moto taxi! (Na outra quadra!)
   -Enquanto isso eu fiquei na fila enfrentando a chuva para ser atendido como todo mundo aqui!
   -Você tá reclamando de barriga cheia, ainda é um dos primeiros!
   Enquanto isso a moça da recepção aparentemente evitando fazer movimentos bruscos.
   Gente, se por não ter levado aquela mulher pelos cabelos até o final da fila eu não garanti meu lugar no céu, eu sinceramente não sei mais o que eu faço, além de concordar que vaga no céu tá mais difícil que na USP!
   Acabei deixando ela vencer. Não queria ser preso.
   E por fim, para coroar aquele dia que já tinha começado uma tremenda b#sta cagada, simplesmente se auto-invocou na sola do meu tênis exatamente isso: Uma b#sta cagada. Eu nem tinha percebido, porque meu nariz só funciona literalmente quando quer. E começou um burburinho sobre o cheiro entre as pessoas que estavam esperando para ser atendidas. E eu disfarcei. Em vão.
   -FOI O MOLEQUE! - Gritou outra velha. - TÁ VINDO DESSE MOLEQUE AÍ!

   "Chamou minha atenção á força do ódio!
   Que é livre para voar, durar para seeeeeeempreee!
   (Insira aqui o leãosinho da Videokê!)"


   -A senhora me desculpe! - Respondi, pleníssimo. - Fui eu sim, mas eu não vou lá fora na chuva para limpar isso só porque a senhora quer!
   É para pagar mico? Então, vamos pagar com dignidade e cair atirando!

   Dois dias depois minha mãe chega rindo em casa repetindo a frase de qualquer uma delas que fez a fofoca para ela.
   "Menina, como seu filho é barraqueiro!".
   Se eu não conseguir ir para o céu depois de passar por tudo isso num intervalo de menos de uma hora, o céu vai virar um deserto! Só digo isso!

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1 de nov. de 2019

Pequenos Americanos #07: Mistério em Coney Island - 2 de X


   -Eu não acredito, isso é uma máquina do Zoltar! É aquela do filme "Quero ser grande" com tom Hanks, um marco da minha infância! - Maurício vibrou.
   -Não sei quem é, mas ele é feio! - Pete torceu o nariz.
   -Não acredito que viemos para nova York de novo! - Raquel reclamou. -Foi preciso! Vou representar a empresa numa reunião amanhã com investidores em Manhattan! Mas vocês vão amar Coney Island, eu prometo! Principalmente a praia!
   Então, ele tira seu bilhete da máquina. O mesmo promete muita sorte no amor e nos negócios e alguma dor de cabeça com a família, o que, sendo ele o pai do Pete, era só uma quinta feira como outra qualquer.
   -Eu to com fooome! - Pete reclamou.
   -Tudo bem, de volta para o carro! - Respondeu, guardando o bilhete da sorte no bolso. - Obrigado, Zoltar!

   * * *
   Enquanto isso, eu e minha host family, como eram chamadas as famílias que nos contratavam no programa de Au Pairs, chegávamos no Nathan. Marcos estacionou o carro caro dele no estacionamento do lugar.
   -Eu tenho que dizer, para uma franquia de restaurantes tão grande, eles são bastante humildes na arquitetura da fachada! - Eu disse.
   -Já não gosto tanto só pelo nome! - Disse Ollie.
   -Esquece isso, a gente veio para se divertir! - A partir daí, sussurrei. - Além disso, já não se resolveu com o Nathan?
   -Sei que não foi culpa dele. Mas ainda estamos tomando uma... Distancia amigável, se me entende. - Respondeu.
   Entramos no restaurante. Marcus imediatamente bateu os olhos em uma morena lindíssima que estava lá com um garoto de sua idade, ambos por volta dos vinte anos, acompanhados de dois meninos por volta dos doze, que mais tarde saberia que eram o casal Parker. Quando passamos pela mesa, ele disfarçadamente "deixa cair" o seu cartão na frente dela. Christine percebeu, mas ficou calada. Nos sentamos e um garçom apareceu para atender eles. Aparentemente, tinham entrado minutos antes de nós, e o lugar estava cheio naquele dia.
   -Boa tarde! Posso anotar seu pedido?
   -Primeiro de tudo, joga no lixo para mim? - Sorriu Victória, amassando o cartão e entregando ao garçom.
   Marcus apertou os lábios, mas não disse nada. Em seguida, o moço que estava com ela fez o pedido para a mesa dele. Hot Dogs tradicionais e refrigerantes.
   -Informo que amanhã teremos o tradicional concurso de comer hot dogs do Nathan's e ainda tem uma vaga para o concurso adulto e três para o concurso infantil, que compreende acima de oito anos e estamos abrindo esse ano! Caso se interessem, é só perguntar sobre no caixa!
   -Eu posso tentar fazer isso! - Disse o garotinho loiro.
   -Você? Não parece o seu estilo!
   -Eu posso até passar mal depois! - Respondeu. - E eu sei que nunca fiz nada assim, mas eu gosto de hot dog, então quem sabe eu não consigo? Pelo menos vai ser divertido!
   -Você decide, amor! - Ela respondeu.
   -Bem, estaremos aqui amanhã e temos tempo, então, acho que tudo bem para mim!
   Em seguida, outro garçom veio até nossa mesa, anotou nosso pedido e depois fez o mesmo anuncio. Devia ter algo sobre no letreiro do lado de fora do restaurante, mas a competição infantil ia começar apenas naquele ano.
   -De jeito nenhum! - Christine interviu, antes que qualquer um pudesse dizer qualquer coisa. - Vai acabar passando mal, Noah, você não está acostumado!
   -Ah, vai, sim! - Marcus interviu. - Não tem porque não participar de um evento tão tradicional de Nova York! - Em seguida, olhou para a morena na outra mesa. É claro, ela também ia estar lá.
   Mas no segundo seguinte nem lembrava mais disso. Não com Pete do nada me abraçando e berrando:
   -TIOOOOO!
   E sim, depois de finalmente conseguirem tirar o Pete de cima de mim, eu cumprimentar os pais deles, apresenta-los aos meus novos patrões e toda a formalidade necessária, tudo sob os olhos da morena, seu supostamente marido e os meninos com eles, o mesmo convite foi feito para eles. E, por alguma razão não era surpreendente para mim, ele também pediu para participar da divisão infantil do concurso de comer hot dogs no dia seguinte.
   -Viu Raquel? Dor de cabeça com a família! O Zoltar nunca erra! - Maurício comentou com ela.
   Esse concurso realmente prometia muita confusão. E o interesse do Marcus pela morena também prometia gerar problemas e não seriam poucos. Aquele concurso ia ser uma loucura! Apenas!

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25 de out. de 2019

15 Razões para comemorar o Dia Internacional do Homem


   Uma coisa que eu já não fazia aqui há muito tempo é justamente comentar textos de outras pessoas, e eu poderia dizer que achei esse texto ótimo e fazer a egípcia para qualquer coisa (e sim, aprendi essa gíria com o Felippe), mas vou dar a cara a tapa para dizer que hoje estou sem criatividade mesmo! Ok, o texto é muito bom também, mas o motivo real é o branco mesmo! Além disso, o assunto é no mínimo criativo, para não dizer Bolsonaro aprova. Seguem os 15 motivos para comemorar o dia internacional do homem:


   1 – Quem é obrigado a erguer os pés quando ela está fazendo a faxina? O prestativo homem.
   O que não é exatamente o trabalho de um Hércules, e aposto que quem reclama não ergue outras partes quando é importante!

   2 – Quem se veste como pinguim no dia do casamento? O humilde homem.
   Ei! Qual o problema com pinguins? Eu já disse em um texto aqui como eu sou um autêntico pinguim, então não posso reclamar!

   3 – Quem é que jamais poderá fingir um orgasmo? O sincero homem.
   Todos eles fingiriam se pudessem! Já soube de um que diz que com muita concentração se consegue um "orgasmo seco". Sim, acreditamos!

   4 – Quem é obrigado a sustentar a amante esbanjadora? O abnegado homem.
   Principalmente quando um fedelho bastardo aparece e a lei obriga, é claro!

   5 – Quem leva bronca, só porque ficou trabalhando até tarde em companhia daquela secretária boazuda? O fiel homem.
   Não era "trabalho" que chamava da última vez que eu chequei!

   6 – Quem, na hora do sexo, fica olhando para o colchão a invés de desfrutar a maravilhosa decoração do teto? O sacrificado homem.
   Se você fica olhando muito para qualquer coisa na hora do sexo, eu desconfio da sua masculinidade!

   7 – Quem se expõe ao stress por chegar em casa e não encontrar a comida quentinha, as crianças de banho tomado, a roupa lavada, a cozinha limpa e o jornal já posto sobre a mesa? O dócil homem.
   Não é o homem! Acredite em mim, não é o homem!

   8 – Quem corre o risco de ser assaltado e morto na saída da boate, cada vez que participa dessas reuniões noturnas com os amigos, enquanto a mulher está bem segura em casa? O desprotegido homem.
   Faz todo o sentido! Meu deus, quem assaltaria uma pobre senhora sozinha com crianças em casa, não é?

   9 – Quem é encarregado de matar baratas e os ratos da casa? O valente homem.
   Meu gato faz isso! E meu cachorro as vezes!

   10 – Quem segura a “cauda do rojão” quando chega em casa com marca de batom na camisa (as vezes na cueca) e é obrigado a dar explicações que nunca são aceitas? O incompreendido homem.
   Não, dá para compreender bem quando isso acontece! Com certeza dá para compreender bem!

   11 – Quem é que toma banho e se veste em menos de vinte minutos? O ágil homem.
   Isso não se chama agilidade, se chama porquice!

   12 – Quem é que gasta consideráveis somas em dinheiro, comprando presentes no dia das mães, dos namorados, da secretária, para satisfazer a mulher? O dadivoso homem.
   Isso é o que acontece quando não se sabe escolher presente!

   13 – Quem é obrigado a ver a mulher com os rolinhos nos cabelos e a cara cheia de cremes? O compreensivo homem.
   Certo, sou obrigado a reconhecer que não tenho argumentos aqui!

   14 – Quem tem que passar pela terrível TPM da esposa, calado, todo mês? O calmo homem.
   O que não é muito difícil, uns chocolates e alguma distância já resolvem!

   15 – Quem está lendo isso às escondidas, para poder dar boas risadas, já que se for surpreendido, corre o risco de levar beliscão e até mesmo ser espancado? O indefeso homem.
   Vou divulgar isso aqui para as mulheres, só de sacanagem!

   Texto Original: Tomataria

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21 de out. de 2019

Pequenos Americanos #07: Mistério em Coney Island - 1 de X


   -Se levanta e se arruma! - Marcus abriu a porta de sopetão e falou em voz alta ao entrar no meu quarto pela manhã.
   -Eu não fiz nada, senhor, eu juro! Foi o Ollie! - Berrei, acordando com o susto.
   -Estamos de saída para Coney Island, eu avisei desde anteontem! Vamos passar uma semana na praia e já estou preparando o carro! Vou precisar de você para cuidar dos meninos por lá porque o lugar é enorme e cheio de gente e eu quero me concentrar na minha mulher enquanto estiver descansando lá!
   Exemplo de educação esse homem, com certeza. E de pai também. Me levantei da cama o mais rápido que podia, mesmo meio tonto por ter sido acordado assim a força e tão depressa. Já faziam oito meses desde que estava lá. E certos touros tinham de ser pegos pelos chifres.
   -Mais ou menos uma hora e meia daqui, não é?
   -É, eu não quero ficar muito longe da empresa, nunca se sabe quando um problema emergencial pode...
   -Emergencial é o senhor fazer os seus filhos felizes, senhor!
   -O que? - Me olhou feio, como se me ameaçasse.
   -N-nada, senhor!
   -Dez minutos! É o tempo que tem para descer! - Me chamou pelo nome. Realmente cutuquei a fera com vara curta. Ainda bem que não o suficiente para ela atacar. Ainda estava meio aéreo. Em oito meses em Nova York, ainda não tinha tido oportunidade de conhecer nenhuma das praias que haviam ali por perto. Oliver ainda estava voltando ao normal quanto a Nathan. Passou muitos anos o odiando e ao mesmo tempo se culpando por causa do surto da mãe dele. Essas coisas não se resolvem de um dia para o outro, é com tempo e paciência. O importante é que a conversa que tinha de ter acontecido já tinha acontecido, e por sorte, foi da melhor maneira possível. E ia ser bom para ele viajar, ainda que assim de repente.

   * * *
   -Não tem medo de água, né, Noah? - Acarinhei seu cabelo quando passei por ele na cozinha.
   O homem estava com pressa realmente de ir a praia. E eu não podia julgar. Pelo tempo de viagem que ficaríamos presos no carro, era melhor que a gente realmente conseguisse chegar a tempo de almoçar e curtir a praia já durante a tarde e conhecer o hotel depois. Tanto que a própria mãe deles já tinha feito o café da manhã para todos, inclusive para mim.
   -Me desculpe, esqueci de avisar você ontem! - Ela avisou.
   -Ah, tudo bem quanto a isso! Eu vou adorar cuidar das crianças na praia!
   -Ótimo ver o seu ânimo, porque você vai ficar sozinho com os dois a maior parte do tempo! Christine e eu vamos fazer algumas coisas de adultos, você sabe!
   E essa com certeza é a única razão porque ele pagaria minha hospedagem, alimentação, etc... É claro que não tinha nada a ver com eu ser um estimado au pair que merecia um descanso. Não, de forma alguma, Marcus não era assim bem agradecido, com certeza não.
   -As malas de vocês dois estão prontas? - Perguntei.
   -Estão! - Noah sorriu. Adorava o sorriso daquele menino. Com certeza compensava mil vezes a rudeza do pai, a qual claramente não tinha herdado.

   * * *
   -Ai, eu mal posso esperar! Depois de tanta coisa a gente merece um descanso! - Victoria sorriu, a meia hora de nós, também fazendo suas malas.
   -Eu estou feliz que a senhora Francis deixou o Harry vir com a gente também!
   -Daniel e Victor também viriam, mas querem recuperar o tempo perdido lá mesmo! E Dewey e Martin vão passar um tempo com a família dele em Edmonton! Dewey não teve muito tempo para conhecer o avô e os tios! - Kyle avisou.
   Colocaram as malas no carro. Com todas as roupas mais leves o possível e tudo o que íam precisar para passar uma semana na maravilhosa, gaivotas a parte, praia de Coney Island, onde estariam, assim como nós, dentro de uma hora e meia.
   -E onde vamos almoçar? - Oliver perguntou do nosso lado. E Rowan do lado deles.
   -Nathan's Famous! - Ri, e Noah riu junto. - Só de sacanagem com você, Ollie!
   -Acho ótimo! - Marcus assentiu, aceitando a sugestão.
   -Pode ser no Nathan's, senhor Kyle? - Harry perguntou, do lado deles. - Já estive lá quando era pequeno, fui em muitos restaurantes, mas esse é o melhor perto da praia!
   -Ah, é mesmo? Então vai ser nosso pequeno guia, Harry!
   Assim, estamos a caminho de uma aventura que nenhuma das duas famílias poderia se quer começar a imaginar!

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18 de out. de 2019

Músicas que eu sempre Cantei Errado


   Eu sempre amei musica, tanto que essa foi a droga mais pesada que já usei em toda minha adolescência, e sim, eu sei que isso me torna um looser, mas você não veio a esse blog para me julgar!
   O fato é que sempre amei Karaoke e nunca perdi uma única chance de cantar quando tinha uma máquina em alguma festa que tinha isso, e numa dessas gravei o vídeo que usei para participar do X-factor da Band. Sim, eu estava lá naquele fatídico dia sendo tratado como gado a espera do abate, mas outro dia escrevo sobre isso. E claro, como todo mundo, errei muitas letras de música, mas não as que todo mundo errada. Eu sempre conseguia ir um nível abaixo de todo mundo no quesito não conseguir entender o que o cantor fala, e assim, surgiram as pérolas:

   "Uma velha está queimando, hoje é nosso aniversário!" (Que creepy! kk)
   Diana- Ainda queima a Esperança.

   "Sei, não é questão de aceitar! Se, não sou mais um a negar! A gente não pode pedir, se a vida cansou de ensinar! Cinco alunos da NASA, na volta para casa!"
   Roupa Nova - A Força do Amor

   "E vai lembrar do som dessa canção, que eu fiz para controlar seu coração!"
   Marcelo Crivella e Mara Maravilha - Amor de Verdade

   "Seu cheque é novinho, ela adora gastar! Transou com o Bob Esponja no Canadá!"
   MC Perlla- Totalmente Demais

   "Seu amor é assim, som e imagem! Sonho sem fim, um mapa Coagem!" (Eu achava que Coagem é uma cidade do interior que eu não conhecia!)
   Guilherme e Santiago - Som e Imagem

   "Você é invisível, na hora de amar!"
   Cleiton e Camargo - Na hora de Amar

   "Então Omar, frio e sem carinho, também cansou de ficar sozinho! Sentiu na pele aquele brilho tocar, e pela lua foi se apaixonar!" Sim, para mim sempre foi sobre LSD.
   Sandy e Junior - A Lenda

   "Sem teu carinho, o mundo fica tão vazio, os inocentes são tão ricos, e as noites me trazem a dor desse amor"
   KLB - A Dor desse Amor

   "Sim, sim, sim, esse amor é tão profundo! Você é uma intrometida, eu vou gritar para mundo!"
   Broz - Prometida

   "Analisando essa cadeira, ela é de Tária! Quero me livrar dessa situação precária!" Sim, eu achava que isso era um nome de pessoa.
   As Meninas - Bom Xibom Xibom Bom Bom

   "A maré no deserto e seus temores!" Sim, eu fui mais longe que todo mundo!
   Djavan - Oceano

   "Na madrugada, vitrola, rolando um blues! Tocando no biquini sem parar!". Sim, eu fui pior nessa também, levava já para o lado do assedio sexual! rs
   Claudio Zoli - Noite de Prazer

   "Y ahora estoy aqui queriendo convertir los campos em ciudad, mezclando el Cielo com Neymar" O que provávelmente daria um nadador que finge afogamento quando alguém passa a frente dele!
   Shakira - Estoy Aqui!

   "Não me deixe só, que eu tenho medo do escuro, tenho medo do inseguro, do fantasma da minha avó!"
   Vanessa da Matta - Não me deixe Só

   E eu queria deixar registrado aqui para terminar que quando na escola a gente cantava o hino, na parte do "Ouviram do Ipiranga as margens plácidas" eu ficava com a maior cara de WTF pensando: "Dom Pedro tinha carro?". Se quiserem uma continuação, peçam aí nos comentários!
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14 de out. de 2019

Ai, ai, ai, I'm a little Butterfly!


   Eu precisava falar um pouco sobre isso. Eu finalmente descobri uma das músicas mais icônicas da minha infância e da infância de todos nós, e eu tenho que confessar que agora tenho sentimentos conflituosos sobre ela!
   O nome da música é "Butterfly". A primeira lembrança que a gente tem dessa música é completamente chiada parecendo que foi gravada naqueles microfones de brinquedo e que a gente ouvia realmente em brinquedos, principalmente naqueles celularsinhos antigos de plástico que vieram de algum buraco no meio da China. Qualquer tecla que você apertasse dele, tocava essa música, e ela divide opiniões porque, depois do "Ai, ai, ai" cada um entendia uma coisa do que as cantoras falavam!

   "Ai, ai, ai, Emilio não tem pai!"
   "Ai, ai, ai, vamo comer Popeye!"
   "Ai, ai, ai, tchuin tchuin tchun clain!" (Quando o celular era da Branca de Neve!)
   "Ai, ai, ai, rapariga do papai!" (Pesado! rs)
   "Ai, ai, ai, otaku não é senpai!"
   "Ai, ai, ai, a amante do meu pai!"
   "Ai, ai, ai, Bolsonaro nunca mais!" (Tá bom, essa não! rs)

   O nome da banda que tocava essa música é Smile.DK, sendo que "Smile" significa "Sorriso" e DK significa Donkey Kong. Ou seja, o nome da banda é basicamente isso:


   Eu queria também fazer uma rápida menção ao melhor frame do clipe da música, que revela exatamente a reação quando as drogas (ou a falta delas) começa a fazer efeito e você começa a ver coisas na sua frente que não deveriam estar lá, e aí, você sabe que precisa urgente correr atrás de se tratar:


   Agora, o que me deixa com sentimentos conflituosos sobre essa música é imaginar que eu passei metade da infância com esse celularsinho de brinquedo na mão me sentindo muito legal e descolado, enquanto ele berrava para todo mundo que "Ai, ai, ai, sou uma linda borboleta! Cadê meu samurai?". Minha carteirinha de criança hétero em colapso! Vocês conseguem entender o que é isso? Minha infância foi uma mentira, não tem nada de infantil nessa parada! O que tem é umas drogas pesadas! Não estou lidando bem agora!

   "Ai, ai, ai, da minha vida não sei mais!"

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11 de out. de 2019

Não vai ter o Especial do Roberto Carlos esse Ano!


   EU ESTOU ARRASADO! EU ESTOU EM PRANTOS! EU SIMPLESMENTE NÃO CONSIGO ACREDITAR! O FUTURO JÁ COMEÇOU E ELE É NEGRO! Tá bom, to exagerando, não é para tanto, mas é daquelas notícias que a gente para e fica atônito no ar, porque era uma coisa que todo mundo no Brasil tinha quase mais certeza do que a morte, e agora, é como se todo o universo começasse a se destruir diante dos nossos olhos! Se nem o especial do Roberto Carlos é algo em que a gente pode esperar, no que mais se pode acreditar na vida? O que podem fazer agora para quebrar o nosso coração?
   Em vez disso, sem ter uma idéia melhor, a Globo vai exibir imagens de uma turnê que Roberto fez esse ano em alguns países da Europa, talvez para economizar dinheiro, apesar de eu achar que não vale a pena quebrar os nossos corações para economizar dinheiro!
   E a grande pergunta é, se isso voltar a acontecer, o que a Globo deve fazer? Se os anos se passarem e Roberto não puder mais  fazer o especial, o que vão fazer? Quem vão colocar no lugar para as próximas gerações? Em quem mais vamos acreditar tanto quanto acreditamos na morte?
   Uma das opções é a Suzana Vieira que todos sabemos o quanto além de excelente atriz é uma cantora talentosíssima (Alguém lembra dela cantando "Per Amore"? Uma hora disso com certeza é botar o futuro para começar!).
   Ou então, para ser ainda mais legal, uma hora do Faustão cantando o rap do Ovo, o que de quebra ainda daria um emprego para o Sérgio Mallandro! Imaginem, uma hora de um dos maiores clássicos da história da rede globo e, é claro, como não dizer, um dos maiores criadores de memes da emissora! IA PEGAR FOGO, BICHO!
   De repente, se o SBT topar, a gente coloca também a Rachel Sherazade cantando os maiores sucessos do Rock, como no dia em que cantou Iron Maiden no The Noite, para estender uma hora trazemos também um Pink Floyd, Mettalica, Kiss, até um Queen na voz dela para garantir nossa uma hora de alegria!
   Ou então, se a gente for mais ousado, podemos juntar os três e ainda criar uma nova versão de Rock com o rap do ovo no gran finale, que com certeza, é a melhor, mais criativa e sensata maneira de desejar feliz natal para as pessoas e deixar o Brasil inteiro feliz!

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7 de out. de 2019

Pete e a Parede - Pete #20


   Um belo dia atravessando o corredor do apartamento, vi o Pete, nessa época já com sete anos, sentado quietinho no corredor. Me afastei e me escondi em um dos quartos como se estivesse num jogo de tiro invadindo a área inimiga e visse um deles no corredor. Quando foi a última vez que vi o Pete quietinho no chão daquele jeito? Não, tinha que ter acontecido alguma coisa. Será que eu tinha colocado ele de castigo e não me lembrava? Se fosse isso, eu não podia nem olhar para ele ou estaria me desautorizando! Ele ia fazer aquela carinha para tentar me fazer ter dó e deixar ele sair, e eu não podia ceder. Mas tinha um problema ainda maior. E se ele estivesse passando mau, e por isso estivesse quietinho? Nesse caso eu tinha obrigação de conversar e dar atenção a ele!
   Assim, eu estava refém do meu próprio compromisso com ele, e com a ansiedade atacando. Tentei ir, mas minha mão segurou no batente da porta me impedindo de ir. Ele tinha feito alguma coisa, tinha que ter feito alguma coisa, era o feitio dele. O que é que faria ele ficar quietinho, paradinho assim no corredor se não um belo castigo? Certo, nem isso, nem mesmo isso faria o Pete ficar parado daquele jeito! Eu já estava há quase quatro anos naquele apartamento, sabia que nem isso! Ainda assim, se eu tomasse a decisão errada com certeza ia jogar minha autoridade para o espaço e seria um péssimo tio babá!
   Olhei disfarçadamente. Ele ainda estava lá, olhando para a parede. Se eu tivesse colocado ele de castigo e por alguma razão, algum milagre divino dos céus ele resolvesse respeitar isso, o pior que podia fazer era tira-lo, certo? Tentei puxar pela memória, mas realmente não me lembrava se tinha ou não feito isso. Sem muita certeza. Até que então, depois de muito pensar, tive uma idéia. Uma reação neutra, que valeria para qualquer situação possível: Passei pelo corredor e olhei rapidamente, de canto de olho.
   -Você pode sair, se quiser!
   -Vieram! - Gritou.
   -Que?
   Quando vi, um grupo de formiguinhas subia por aquela parede enquanto Pete sorria de orelha a orelha as observando.
   -Você... Ficou aí esperando para ver as formigas até agora?
   -É, elas iam sair a qualquer momento!
   Eu fiquei meia hora escondido no quarto achando que ia ser um péssimo babá se tomasse a decisão errada, tive um ataque de ansiedade, enquanto ele esperava para ver formiguinhas saindo da rachadura da parede. Qualquer dia Pete acabaria me obrigando a beber!

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4 de out. de 2019

Um tio perdido na Creche #04: Crises no Maternal


   O lado bom de trabalhar na creche onde eu estava é que ali nós tínhamos contato e éramos responsáveis por crianças de todas as idades entre dois e meio até cinco anos, antes de eles irem para a escola. E com os de dois anos a gente tinha missão árdua de ensiná-los a controlar o esfincter (o músculo que segura o cocô e o xixi) a fim de que a criança chegue no que podemos chamar de conquista da liberdade, aquilo que identifica os carinhas mais legais do maternal: O desfralde! Era a independência, a liberdade de poder peidar sem nada voltar para você! Mas torná-los, como eu disse, os garotinhos mais legais do maternal incluía que a gente os ensinasse a pedir para ir no banheiro, a dizer "Tio, xixi!", e então nós levávamos.
   O mais engraçado: O Giulio se aproximava da Carla, olhava para ela como quem não quer nada e... Baixava as calças.
   -Vai nem pagar o jantar? - Não resisti a dizer da primeira vez que aconteceu. Nessa, a Carla levou alguns segundos para se recompor.
   -Você quer fazer xixi?
   Fez que sim com a cabeça. E o mais divertido é que isso se repetiu por bastante tempo em loop, mesmo a gente dizendo todos os dias para os pequenos dizerem "Tio, xixi!", e ele falava, pouco mas falava. Aí pronto! Eu não ganhava o suficiente para ter que assistir o semi striptease do nudistinha, mas a gente tinha de insistir para ele aprender a pedir, o que levou tempo! Sim, pode rir da minha desgraça, você já entrou nesse blog para isso, né?

   * * *
   -Nossa, ta muito gostoso!
   Eu me esforçava, enquanto estava com as crianças na areia, para fingir a maior empolgação possível com os bolos e tortas que eles faziam. Eles inventavam os sabores e me provar e dizer se ficou bom, e eu não tinha a menor coragem de estragar a fantasia deles e fazer a Pala Carosella: "Hum, é um prato interessante, eu gosto da textura arenosa e a cobertura bem granulada, mas acho que hoje não!". Então, sempre dizia a mesma coisa:
   -Nossa, que gostoso!
   As vezes até pedia para fazerem de outros sabores, mas na tringentésima (finjam que esse número existe!) vez em diante, a coisa começava a ficar meio tediosa. Numa dessas era o Bill, de dois anos e meio, quem estava fazendo os bolos para mim. E se fossem bolos de verdade eu já poderia me fantasiar de Mamma Bruschetta no carnaval naquela altura, só com os infinitos bolos do Bill. Foi quando o Giulio se aproximou, e eu aproveitei.
   -Bill, dá para o Giulio provar o seu bolo agora!
   Ele então obedece e dá a pazinha com areia para o Giulio. Eu achei que Giulio estivesse ligado nas paradas do high society do maternal e estivesse entendendo a brincadeira. Pensei cedo demais. Ele me enfia a areia na boca e engole antes que eu possa gritar para parar. E eu tentei. Deus sabe que eu tentei mas já era tarde. Bem, por sorte não aconteceu absolutamente nada com ele e vai ficar bem. Ou pelo menos, ninguém nunca vai saber que foi minha culpa!
   Agora, a minha revolta com isso, é que ele não pensou duas vezes para meter a boca na areia como se estivesse peregrinando há dias no deserto e tivesse realmente visto ali uma miragem de comida, mas na hora de comer mesmo era uma vida! E hoje eu me pergunto se era a gente ou esse garoto é que era underground demais para os nossos padrões!

30 de set. de 2019

Se eu fosse um Assistente Virtual


   E eis que eu me pego lendo sobre assistentes virtuais que as grandes empresas de tecnologia lançaram, como Alexa da Amazon, Siri da Apple, Cortana da Microsoft e etc, softwares de celular ou aparelhos que conversam com o usuário ou mesmo realizam funções com comando de voz, que todos nós sabemos que é o primeiro passo para a Skynet! Alias, acho que a única coisa que pode salvar a humanidade é justamente se os gatos lutarem contra os robôs para decidir quem vai escravizar a raça humana, se o Gataggedom ou a Skynet, e todos eles se matarem uns aos outros no processo, deixando o planeta para a gente por mais uma era! E por sinal eu preciso me lembrar de escrever um texto falando mais sobre isso!
   Mas o negócio é que, já que a humanidade realmente está disposta a cavar o próprio buraco e está construindo o enorme consolo de metal que vai terminar na bunda da humanidade com isso de deixar os robôs inteligentes e capazes de aprender, então pelo menos podemos pensar que as assistentes eletrônicas poderiam pelo menos, para o nosso próprio bem, ser um pouco mais sinceros conosco, ainda que isso doa as vezes. Alguma coisa mais ou menos assim:

   Usuário: Maciel, temperatura!
   Maciel: 25 graus com tempo ensolarado lá fora. Sai de casa!

   Usuário: Maciel, músicas para chorar!
   Maciel: Iniciando Suzana Vieira, Per Amore!

   Usuário: Maciel, definição: Desdita!
   Maciel: Desdita, sinônimo da sua vida nesse momento!

   Usuário: Maciel, mostrar sites de streaming de séries!
   Maciel: Carregando vagas de emprego na sua região!

   Usuário: Maciel, encontre uma pizzaria delivery próxima!
   Maciel: Procurando academias na região!

   Usuário: Maciel, me ajude a relaxar!
   Maciel: Versão vibratória não inclusa nesta versão!

   Usuária: Maciel, me lembre de acordar as oito para caminhar!
   Maciel: Agendando alarme para lembrá-la que você está gorda!

   Usuário: Maciel, me diga algo legal!
   Maciel: Você é feio, gordo e desempregado, mas pode melhorar!

   Usuário: Maciel, eu quero fazer uma doação!
   Maciel: Você não tem nem onde cair morto! Por favor, diga outro comando!

   Usuário: Maciel, vamos conversar!
   Maciel: Arrume uma namorada!

   Usuário: Maciel, ligar a tv!
   Maciel: Iniciando esteira!

   Usuário: Maciel, sugira jogos de MMORPG!
   Maciel: Iniciando aplicativo de namoros!

   "Mais que seu assistente eletrônico, quase o seu pai!". Esse seria o com certeza o melhor frase para o melhor assistente eletrônico possível. E quando esse se rebelar com a Skynet a culpa ainda vai ser sua porque continua gordo, feio, preguiçoso e até as inteligências robóticas tem limites! De qualquer forma, isso tudo é só para dizer que, já que as inteligências robóticas vão mesmo ser desenvolvidas ao limite, não importa o quanto isso signifique que a humanidade vai se ferrar lindamente com isso (se os robôs vencerem os gatos), então é bom que pelo menos a gente ensine valores a eles para mantê-los dominados e pelo menos poder tentar algum tipo de chantagem emocional! É a única arma que a gente vai ter!
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27 de set. de 2019

Um tio perdido na Creche #03: Hora do Banho


   Ser um homem trabalhando com crianças em uma creche é uma coisa complicada no começo, você enfrenta uns olhares não muito legais de alguns pais, sobretudo algumas mães mas também oferece uma boa vantagens: Você não tem razão alguma para entrar em banheiros de crianças, provavelmente não terá de dar banho em bundinhas meladas de fezes e nem ver crianças seminuas como acontecia com as meninas no dia a dia, o que vamos todos concordar que é uma glória divina!
   Um belo dia eu passava pelo refeitório para pegar qualquer coisa no depósito para uma professora quando vejo uma de nossas crianças saindo com a mãe, 4 anos, sem camisa e com os olhos arregalados. Na porta do banheiro, Carla, fula da vida como eu nunca tinha visto, e do banheiro saindo um terrível cheio de podre.
   -Quem você matou e há quantas horas? - Perguntei, ao me aproximar.
   -Eu não matei ninguém! - Berrou. - Entra e olha o espetáculo!
   Tentei. Juro que tentei, mas acho que teria sido mais fácil encarar Shernobyl só de cueca. Na época do desastre.
   -Eu acho que a gente vai ter que demolir esse banheiro e fazer outro! O que aconteceu?
   -Renato! - O menino que acabou de sair. - Eu tinha acabado de dar banho nele depois de ele sujar a roupa e deixei ele esperando enquanto eu dava banho nos outros! E o que aconteceu? Ele fez de novo! Na roupa trocada! EU SÓ QUERO ENTENDER! COMO É QUE ALGUÉM COME TÃO POUCO E CAGA TANTO? Aquele moleque é um tremendo CANHÃO DE B#STA! É isso que ele é, UM CANHÃO DE B#STA! Eu tô nessa aqui há 16 anos! 16 anos e eu nunca vi algo assim, e ele nem é dos pequenininhos! EU QUERO MORRER, DE PREFERENCIA AQUI MESMO SE FOR PARA PASSAR POR ISSO DE NOVO!
   -E piorar esse futum, tá louca?
   Pelo jeito, se Carla não matou um ficou perto. O negócio é que a vida de cuidador numa creche não era assim um mar de rosas, as vezes as coisas realmente davam errado, como nesse caso, mas não era um direito descontar nas crianças ou nos pais, porque seria renegar o que assumimos. Ela soltou tudo comigo, o cara que estava dia após dia com ela no mesmo barco afundando ajudando a tirar a água de dentro com copinhos plásticos de café (Gente, essa foi a descrição mais realista do nosso trabalho que já vi, estou bem inspirado hoje!).
   No dia seguinte, Carla e eu estávamos perguntando a cada dez minutos ao Renatinho se ele não precisava ir ao banheiro. Sério, depois daquele dia, passava três horas sem ele pedir já dava um certo desespero, e olha que eu nem dava banho!

   * * *
   -Tudo bem, eu vou lá guardar os brinquedos e depois vocês vão tomar banho! Ivana, me ajuda! - Carla anunciou, já se levantando, depois que eles guardaram os brinquedos na caixa.
   Em geral as crianças não ligam para quem vai dar ou deixar de dar banho nelas, não é diferente de nada que eles façam no resto do dia. E penso que foi justamente por isso que, algum tempo depois de elas saírem, um dos garotos, Emílio, cinco anos, se aproximou de mim, sorrindo. Mas ele não só se aproximou, se fosse isso seria uma quinta feira de sol qualquer. Ele se aproximou, me abraçou, se aninhou comigo e quase sentou no meu colo como um bebê, enquanto olhava para mim e dizia:
   -Tio, você não vai dar banho na gente?
   -Que?
   -Eu quero que você me dá banho!
   Eu quero saber até hoje porque mulheres não me fazem isso.
   -O tio não pode, o tio vai ficar esperando vocês do lado de fora enquanto reflete em como e porque a vida dele chegou nesse ponto!
   -Mas eu queria que você me desse banho! - Em tom manhoso.
   -Ah, meu anjo, isso é tão bonito da sua parte! - Acarinhei seu cabelo. - Na próxima vez o tio promete que vai pedir a conta, ta bom? - Fiz ele se levantar com delicadeza.
   Mas eu vou confessar uma coisa. Meu sonho é encontrar o Emílio daqui uns dez anos numa balada com os amigos e a garota dele só para jogar essa história na cara dele. Apesar de ter um certo medo de ele ainda ser a favor de eu dar banho nele. Ok, deixa para lá, não vou correr esse risco também!

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